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O apagamento do sujeito na relação dual
As pirotecnias clínicas do pós-freudianismo deixariam o circense constrangido em sua limitação criativa. Emparelhamento do desenvolvimento psíquico às fases maturacionais biológicas e sensório-motoras, detecção de padrões de conduta, teste moral e constitucional de "capacidade de amar" do paciente, fábulas de maturidade genital, pulsões ternas adaptadas às conveniências do parceiro, estabilidade inabalável do Ego sem a divisão do sujeito. Neste hall de criações que beiram as
Patrícia Mezzomo
há 3 dias2 min de leitura
O jogo do morto
É como morto que o sujeito entra na vida. Contrapondo toda a intuição e a biologia, Lacan subverte o status quo e utiliza o jogo de bridge para aludir à criação do sujeito ex-nihilo. Trata-se de um sujeito que nasce e morre pela – e na – linguagem. No jogo e na estrutura, o "morto" está foracluído, mas seus significantes jogam as cartas por ele para lhe conferir significação. Ele entra como morto, mas é obrigado a jogar como vivo! O significante e a estrutura introduzem não a
Patrícia Mezzomo
2 de set.3 min de leitura
Da Biologia à Cultura: Claude Lévi-Strauss
A obra fundadora do estruturalismo faz da linguística o eco do ato galileano com a matemática. Ao aliar antropologia aos modelos formais da matemática e da fonologia, Claude Lévi-Strauss opera um descentramento comparável ao de Copérnico e Galileu: se no século XVII a Terra perde seu lugar no centro da criação cósmica, o pós guerra nos presenteia com o fruto do exílio de um herói. As Estruturas Elementares do Parentesco (1949) destronam a consciência, o ego e a soberania do h
Patrícia Mezzomo
26 de ago.2 min de leitura
A separação definitiva entre o saber e a verdade
A separação entre saber e verdade operada pelo ato cartesiano é, talvez, a fratura exposta da qual o Ocidente jamais tenha se recuperado. O luto não elaborado desse corte possivelmente seja a própria causa dos avanços científicos desde as meditações do século XVII. René Descartes divide o mundo ao meio. Se antes o homem vivia pacificado em um continuum representacional no qual matéria e espírito permaneciam unificados, depois do corte a natureza perde sua alma. A representaçã
Patrícia Mezzomo
19 de ago.3 min de leitura
Do Significado ao Ato: A Batalha de 1958
A década de 50 marca o conflito lacaniano por excelência. O psicanalista francês, amarrado pelo contexto histórico e pelo desejo de pertencimento, precisa acochambrar sua teoria no glossário freudiano para agarrar-se a cordas que o impedem de se esparramar no precipício da excomunhão. São anos de luta não tão velada, mas com semblante de parceria, para tentar mudar os rumos que a teoria freudiana havia tomado. Conceito por conceito, Lacan vai disparando sua denúncia e constr
Patrícia Mezzomo
13 de ago.3 min de leitura
A Invenção do Neurótico: Do Corpo Biológico à Existência Simbólica
A clínica nos ensina que nascer não é o suficiente. O ato biológico do parto está longe de garantir um sujeito, e o corpo gerado pela mãe não assegura a vida. Pelo menos não a existência simbólica tal como concebida pela psicanálise. A existência simbólica está, paradoxal e intrinsecamente, atrelada à morte. Como diria Lacan, "o significante mata a coisa". O animal instintual morre para que o sujeito possa ser criado a partir do nada, ex nihilo, passando a existir no mundo da
Patrícia Mezzomo
5 de ago.3 min de leitura
A metafísica da estrutura
A década de 1950 é marcada por profundas transformações, esgotamentos e desilusões políticas. A intelligentsia francesa, órfã das ilusões do marxismo soviético pós-stalinista, encontra na linguística estrutural a saída intelectual para o modelo biográfico e linear da Velha Sorbonne, destronando a figura do herói engajado que marcou o início do século. Sartre, a figura tutelar do pós-guerra, começa a ficar isolado a partir desse período. Seu existencialismo — que ditava a mod
Patrícia Mezzomo
24 de jun.3 min de leitura
Quem analisa hoje?
A descoberta radical de Freud a respeito do inconsciente foi apagada pelos seus “continuadores”. Essa é a denúncia oculta por trás da pergunta que serve de abertura para o texto de 1958, A direção do tratamento e os princípios de seu poder. Mais uma vez, Lacan desfere sua crítica mordaz contra o crime cometido pelos pós-freudianos: o assassinato da psicanálise, que agora exige ser reinventada. Os "ultramarinos" atravessaram o oceano e entregaram ao continente americano justam
Patrícia Mezzomo
10 de jun.3 min de leitura
Estruturalismo - do apogeu à queda
Aventurar-se no prefácio de François Dosse a respeito da história do Estruturalismo nos dá a nítida percepção de estarmos revivendo a história da psicanálise, de Freud a Lacan. Com uma vida mais curta, porém, o estruturalismo perece justamente por ter falhado em duas grandes dimensões que a psicanálise sustenta: o Grande Outro barrado e o Sujeito. A história das ciências nos revela um fato comum: a incrível tendência humana de buscar nas ciências (ou nas religiões) uma solu
Patrícia Mezzomo
27 de mai.3 min de leitura
Do cogito ao Romantismo: A invenção da loucura moderna
Desde o corte epistemológico operado pelo cogito cartesiano, somos testemunhas do “encaixotamento” do falante moderno. Cada vez mais isolado do laço social, chafurdando em sintomas e orgulhoso de sua autossuficiência, o sujeito dos nossos tempos se descola e recusa-se a participar do mundo que o determina. A crise é coletiva. Mas o homem moderno prefere acreditar que isso que o assola não vem do Outro. O equívoco de se crer a "causa de si mesmo" oblitera a sua capacidade dial
Patrícia Mezzomo
1 de abr.4 min de leitura
Do "Cogito" ao Delírio
De Descartes a Hegel, podemos traçar uma trajetória do surgimento do homem moderno, até o seu enlouquecimento? E afinal, porque o homem enlouqueceu? Teria ele se apaixonado pelo próprio ego? Se fizermos nosso recorte histórico do momento atual, não nos faltarão exemplos dessa lógica que culminou no homem ultramoderno “senhor em sua própria casa”, a despeito do que Freud tentou nos alertar. Estudar a loucura em psicanálise é estudar o moderno de Hegel, o mais que moderno, o e
Patrícia Mezzomo
4 de mar.2 min de leitura
A criação das verdades eternas - Da escada ao muro.
Se a ciência ameaça a onipotência divina, Descartes entra para história como aquele que salva Deus e a ciência. Não se trata de pouca coisa e o tempo nos prova isso, marcando a importância deste homem para a humanidade. A transição do medieval para o mundo moderno é marcada por perdas e rupturas, e Descartes é o homem que tenta resolver o conflito entre a fé e o novo saber que surgia. O Deus de Tomás de Aquino reinava sob o mundo, numa espécie de analogia que o conectava ao h
Patrícia Mezzomo
18 de fev.3 min de leitura
O pai como álibi - S(Ⱥ)
Comparar Freud e Lacan fica agora mais fácil se tivermos à mão o segundo capítulo das Estruturas Clínicas a partir de Lacan . O texto nos apresenta a decisão ética tomada por esses dois autores diante da falta. Aparentemente Freud, com seu Totem , tomou o caminho do imaginário, tentando dar conta do impossível: a falta estrutural. Sua ficção "salvou" o pai, mas condenou a psicanálise ao Mito, tentando explicar a falta através de um romance familiar de culpa e castigo. Diante
Patrícia Mezzomo
4 de fev.2 min de leitura
Gozo como Predicação: A Resposta de Lacan ao Substancialismo
Eidelsztein finaliza seu Outro Lacan trazendo à baila talvez o assunto mais complexo e polêmico da obra lacaniana: o gozo. Tema de muita confusão, que escancara o aristotelismo do nosso raciocínio ocidental: a "substância gozante" tornou-se corporal por seus continuadores e nos arremessou ao projeto biológico tão caro à nossa modernidade. Mas se, desde sempre, Lacan fala a mesma coisa em sua obra, por que não seria diferente com mais esse tema? Nas palavras dele: “mas que a
Patrícia Mezzomo
19 de nov. de 20254 min de leitura
O iluminismo psicanalítico
Se Giordano Bruno foi queimado e Lacan excomungado, se Galileo manteve-se fiel a igreja e Miller adapta Lacan criando seu freudolacanismo, estaria Eidelsztein inaugurando finalmente o iluminismo psicanalítico? Acompanhar a obra do autor das Estruturas Clínicas a partir de Lacan nos faz travar contato com uma experiência de iluminação teórica da obra lacaniana. Eidelsztein inaugura a modernidade da psicanálise com o mesmo gesto que a ciência assume ao fundar-se diante da igre
Patrícia Mezzomo
5 de nov. de 20254 min de leitura
A excomunhão do plural
Edelsztein começa seu quinto enlace nos levantando questões a respeito dos neologismos de Lacan e aponta algumas tentativas de respostas que nos levantam outras perguntas: “Os neologismos de Lacan, possuem o valor de tentar perturbar a nossa amarração a construções unívocas que referem a uma realidade primeira, externa ou estabelecida . Possuem a estrutura e a função do Witz, o chiste, a agudeza e a fantasia verbal. E terceiro e não menos importante, não se admite, em lacan
Patrícia Mezzomo
15 de out. de 20255 min de leitura
A psicanálise como a terceira via
Com o surgimento da ciência e do homem moderno, vemos surgir também o anúncio de um novo mundo, o antropocentrismo, onde o lugar central...
Patrícia Mezzomo
1 de out. de 20254 min de leitura
O corte que faz conta e abre o espaço do sujeito
Não basta ler Lacan, nossa confusão está em lê-lo mas não entendê-lo. E a causa desse engano está alicerçada na forma como nos assentamos...
Patrícia Mezzomo
17 de set. de 20254 min de leitura
De saussure a Jakobson em busca do significante
Com "A Instância da Letra no Inconsciente", Lacan inaugura o uso fecundo de sua leitura de Roman Jakobson. Entre 1957 e 1961,...
Patrícia Mezzomo
10 de set. de 20256 min de leitura
A psicanálise com resposta ao mal-estar do sujeito moderno
Texto escrito para o grupo de linguisterias da escola de Psicanálise Estrutural - EPE A revolução científica que culmina com o nascimento...
Patrícia Mezzomo
3 de set. de 20254 min de leitura
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