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Outro Lacan - 1° Enlace - A lamela

Foto do escritor: Patrícia Mezzomo
Patrícia Mezzomo
20 de mar. de 2025
2 min de leitura

Texto escrito para a Sessão Teórica da Escola de Psicanálise Estrutural - EPE


​​​“A lamela é aquilo que, do organismo, na operação de separação do efeito letal do significante, se segura no sujeito”. “Os animais não possuem corpo algum, apenas organismo”.

​

Eidelsztein nos apresenta essas duas frases em momentos separados de seu texto e que tomo a liberdade de juntá-las para uma tentativa de entendimento desse insubstancial incorporal do sujeito da psicanálise.

​

Pois bem, a lamela é então aquilo que, do animal - e aqui está minha modificação - na operação de separação do efeito letal do significante, se segura no sujeito. Se apenas os animais possuem organismo e se a lamela é aquilo que, do organismo se segura no sujeito, poderíamos interpretar que essa superfície bidimensional é algo que sobra, um resto do animal?

​

E por ser resto de um corte letal, algo que perde seu lugar original, posso pensar nesse resto, que faz equivalência com o objeto a, como um exilado do animal na linguagem?

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O texto me trouxe mais perguntas que respostas e não é fácil abrir mão de tentar respondê-las. Talvez seja essa a função de resto, algo que não se encaixa, que não funciona, que não responde, mas que existe, que tem função e que determina.

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Como uma superfície bidimensional pode substituir a libido e ser um equivalente do objeto a, simultaneamente, tal como o texto propõe?

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Lacan apresenta a lamela como um mito destinado a encarnar a parte faltante. Um mito que opera como sexuado mas só pode participar do furo.

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Me ocorre que tentar entender o que “é” a lamela talvez seja a confusão primordial do nosso viés ontológico. E aqui me empresto do próprio Lacan numa tentativa de mudar a rota desse “ser”: “O importante é apreender como o organismo vem a ser apanhado na dialética do sujeito”. 

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Isso me parece elementar para capturar a essência do dito em seu ensino. Não importa o organismo, ou seja, o animal em si. Não importa porque não é representável, não está lá como animal mas sim como ausência, como furo, como real. O importante é como esse furo, vem a ser apanhado na dialética do sujeito, ou seja, o que importa é como ele vem a ser dito, falado e participando em sua ausência e não em sua presença. 

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Sempre pensei no conceito de objeto a, como um resto de linguagem, algo que caiu da própria linguagem, aquilo que a linguagem não abarcou em si e que fica de fora. Porém,  com a lamela, meu raciocínio segue outra direção e me faço uma última pergunta. Seria o objeto a, não um resto da linguagem mas um resto do animal e que, justamente por ser animal, não entra na linguagem e sobra?

​

Eidelsztein finaliza seu texto com a pergunta: “Quem admite hoje , entre seus leitores, que a linguagem é o corpo e é o nosso material?”

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Já que a linguagem é nosso corpo e não o organismo, já que a linguagem é o nosso material, seria o objeto a, o animal que não cessa de tentar se inscrever na linguagem?

 
 
 

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